"Não sou uma pessoa romântica" é o que eu ando discursando entre um encontro e outro pra prevenir qualquer catástrofe natural que envolva meu coração e uma furadeira. Homens e cães tem esse tipo de coisa em comum, além do tesão absurdo por fêmeas no cio, de sentir cheiro de medo e atacar na jugular sempre que nos percebem vulneráveis. Eu poderia arriscar jogar limpo e explicar que andei chorando com o clipe novo do Luan Santana e que tô tentando manter o peso pra caber num possível futuro vestido de noiva que, juro, foi feito pra mim, mas entre acabar sozinha e acabar sozinha com dignidade... Vamos lá, ainda resta o amor próprio.
Nunca tentei impedir o amor... A luta seria injusta, já que geralmente eu comigo mesma sou encrenca pura, mas aprendi, com o tempo, a me esquivar das minhas esquizofrenias de enxergar P.S. I Love You onde só tem Hannibal.
O mínimo que eu posso fazer por mim, então, é tentar dar um jeito de não me perder em algum labirinto moreno de 1,80m e barba por fazer, o que é um problema, já que eu tenho um péssimo senso de localização.
De tanto a gente evitar o amor, acaba ficando com medo dele. Medo de depender de alguém, de ser parte do sonho de alguém e de se sentir parte da vida de alguém que realmente queira a gente na vida. Mas uma hora vem...pra todo mundo. Principalmente pra quem não quer.
E aí romance vira rotina. Flor vira poesia. Sexo vira declaração.
Mas enquanto eu posso, eu me esquivo. Me enganando entre um encontro e outro, entre uma mentira e outra, tentando controlar meus batimentos pra uma frequência de quase morte toda vez que o telefone toca, fingindo que pouco importa. O fato é que eu tenho total confiança na minha capacidade de enganar meu coração, pelo menos até quando ele optar por ser enganado.
Pode ser que amanhã ou depois eu acorde com pássaros cantando na minha janela, ou com minhas frases terminando com algum trecho da Clarice Lispector, seguidas do nome "dele", do tal cara, sei lá.
Mas por hora eu vou me virando... Encarando os encontros como doses de vodca e quase-paixões como ressaca pesada. A menos que seja um gato, aí me sinto na obrigação de pedir uma dose dupla...