Sou grata ao que se disfarça de desagradável por puro altruísmo:
aos dias ruins, que surgem carregados de aprendizado e que nos trazem a saudade dos dias bons;
aos amores não correspondidos, que servem de trampolim pra novas paixões, novas amizades e novas aventuras;
às doenças, que abrem espaço pra força;
aos medos, que abrem espaço pra coragem;
aos finais, que abrem espaço pros começos.
Eu tenho fé - eu tenho que ter fé - em cada esquina da minha vida. É a fé na vida, é a fé em mim, que cultivou minha sanidade intacta - ou quase - em cada tropeço, joelho ralado, braço quebrado e coração partido que eu enfrentei ao longo das minhas andanças.
Faz parte de mim esperar o melhor, mesmo no pior. Faz parte de mim confiar que em algum dia, de alguma maneira, tudo terá feito sentido.
É preciso que a gente caminhe com a consciência de que a vida não nos deve satisfação sobre seus atos. É preciso que a gente saiba, porém, que devemos a ela satisfação até sobre nossos pensamentos.
É preciso que a gente viva, a gente lute, a gente dê risada e a gente chore, também, porque é preciso; porque o sapato aperta, porque a vida aperta, porque o coração aperta.
É preciso que a gente caia, que a gente levante, que a gente queira desistir, e não desista!
É preciso que a gente dê risada da gente mesmo.
É preciso que a gente feche os olhos, abra as mãos e voe alto, mesmo sem sair do lugar.
É preciso que a gente fuja, e que depois a gente enfrente.
É preciso que a gente siga em frente mesmo que doa, mesmo que sangre; nos dias bons e nos dias ruins também...
Por que em algum dia, de alguma maneira, tudo terá feito sentido.