terça-feira, 23 de julho de 2019

Sei lá, cara...


Sei lá, cara.
Ela tem esse sorriso de quem já tem tudo resolvido, tudo esclarecido e não tem problema em dividir o segredo com quem tiver disposto a conhecer.
Ela tem uma resposta pronta pra cada uma das minhas perguntas, como se antecipasse a minha mente; como se o nosso agora acontecesse em tempos diferentes.

Sei lá, cara.
Ela tem essa sede de viver, de descobrir coisas novas e abrigar o mundo inteiro naquele abraço que só ela sabe dar.
Ela decidiu esquecer de quando disseram pra ela que amor era coisa de gente ingênua. Quando disseram que ela devia pensar só nela pra não quebrar a cara depois.
Ela quebrou, cara. E ela não tá nem aí. “Não é minha culpa o vazio da alma dos outros”, ela diz.
E segue amando, segue acreditando. Segue com essa alma cheia, entupida de gente que já não sabe mais viver sem ela. Ela continua achando, cara, que uma hora a sorte vira. Mal sabe ela que a sorte é ela, e que em cada canto que ela passa o ar fica mais doce e mais leve, só por esse amor que ela exala por aí. Quem não conhece acha que é perfume, mas eu sei que é ela.

Pode ser bobagem minha, cara, mas ela me faz querer ser melhor pra acompanhar ela.
E mesmo que ela não cobre nada, que ela não exija nada, eu sinto que a vida ia ser bem mais bonita se eu fosse um pouco ela e, sei lá, cara, um pouco dela.
Eu vejo a paz que ela carrega por ser ela. Eu sei que ela não é de pedir permissão pra nada, mas que ela só faz o que o coração manda e o coração dela não erra.

Pode até ser que os outros não vejam o que eu vejo, mas eu não conheci ninguém como ela.
E eu não sei se o mundo tá preparado pra ela, cara. Mas, sei lá; eu tô.
E não importa de que jeito for, eu só quero ficar do lado dela. Aprender sobre ela, respirar um pouco ela e tentar viver do jeito dela.

Se eu não conseguir nada disso, eu só quero ser quem não vai permitir que ela deixe de ser ela.

Sei lá, cara, eu só acho que ela tem um sol no olhar.
E eu não sei mais como é viver na escuridão de quando ela não olhava pra mim.