Sei lá, cara.
Ela tem esse
sorriso de quem já tem tudo resolvido, tudo esclarecido e não tem problema em
dividir o segredo com quem tiver disposto a conhecer.
Ela tem uma
resposta pronta pra cada uma das minhas perguntas, como se antecipasse a minha
mente; como se o nosso agora acontecesse em tempos diferentes.
Sei lá, cara.
Ela tem essa
sede de viver, de descobrir coisas novas e abrigar o mundo inteiro naquele
abraço que só ela sabe dar.
Ela decidiu
esquecer de quando disseram pra ela que amor era coisa de gente ingênua. Quando
disseram que ela devia pensar só nela pra não quebrar a cara depois.
Ela quebrou,
cara. E ela não tá nem aí. “Não é minha culpa o vazio da alma dos outros”, ela
diz.
E segue amando,
segue acreditando. Segue com essa alma cheia, entupida de gente que já não sabe mais viver sem ela. Ela continua achando, cara, que uma hora a sorte vira. Mal
sabe ela que a sorte é ela, e que em cada canto que ela passa o ar fica mais
doce e mais leve, só por esse amor que ela exala por aí. Quem não conhece acha
que é perfume, mas eu sei que é ela.
Pode ser
bobagem minha, cara, mas ela me faz querer ser melhor pra acompanhar ela.
E mesmo que ela
não cobre nada, que ela não exija nada, eu sinto que a vida ia ser bem mais
bonita se eu fosse um pouco ela e, sei lá, cara, um pouco dela.
Eu vejo a paz
que ela carrega por ser ela. Eu sei que ela não é de pedir permissão pra nada,
mas que ela só faz o que o coração manda e o coração dela não erra.
Pode até ser
que os outros não vejam o que eu vejo, mas eu não conheci ninguém como
ela.
E eu não sei se
o mundo tá preparado pra ela, cara. Mas, sei lá; eu tô.
E não importa
de que jeito for, eu só quero ficar do lado dela. Aprender sobre ela, respirar
um pouco ela e tentar viver do jeito dela.
Se eu não
conseguir nada disso, eu só quero ser quem não vai permitir que ela deixe de
ser ela.
Sei lá, cara,
eu só acho que ela tem um sol no olhar.
E eu não sei
mais como é viver na escuridão de quando ela não olhava pra mim.