terça-feira, 11 de dezembro de 2012

É preciso

Sou grata ao que se disfarça de desagradável por puro altruísmo:
aos dias ruins, que surgem carregados de aprendizado e que nos trazem a saudade dos dias bons;
aos amores não correspondidos, que servem de trampolim pra novas paixões, novas amizades e novas aventuras;
às doenças, que abrem espaço pra força;
aos medos, que abrem espaço pra coragem;
aos finais, que abrem espaço pros começos.

Eu tenho fé - eu tenho que ter fé - em cada esquina da minha vida. É a fé na vida, é a fé em mim, que cultivou minha sanidade intacta - ou quase - em cada tropeço, joelho ralado, braço quebrado e coração partido que eu enfrentei ao longo das minhas andanças. 
Faz parte de mim esperar o melhor, mesmo no pior. Faz parte de mim confiar que em algum dia, de alguma maneira, tudo terá feito sentido.

É preciso que a gente caminhe com a consciência de que a vida não nos deve satisfação sobre seus atos. É preciso que a gente saiba, porém, que devemos a ela satisfação até sobre nossos pensamentos. 

É preciso que a gente viva, a gente lute, a gente dê risada e a gente chore, também, porque é preciso; porque o sapato aperta, porque a vida aperta, porque o coração aperta.
É preciso que a gente caia, que a gente levante, que a gente queira desistir, e não desista!
É preciso que a gente dê risada da gente mesmo.
É preciso que a gente feche os olhos, abra as mãos e voe alto, mesmo sem sair do lugar.
É preciso que a gente fuja, e que depois a gente enfrente.

É preciso que a gente siga em frente mesmo que doa, mesmo que sangre; nos dias bons e nos dias ruins também...

Por que em algum dia, de alguma maneira, tudo terá feito sentido.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Às vezes conhecemos milagres...
Pensei nisso enquanto tomava um copo d'água escorada na porta da geladeira, só pra ver se toda refrigeração conseguiria congelar meu cérebro por uns minutos.
Desde alguns dias atrás venho me dando conta do equívoco irremediável do ser humano em comemorar com pessoas sua coleção conquistas quando, na verdade, o correto seria comemorar a conquista de sua coleção de pessoas.

Mas, às vezes - isso, se tivermos sorte, claro - surge alguém indispensável em nossa coleção. Alguém que merece ser comemorado. Alguém no estilo 'pessoa certa, na hora certa' que nos induz a tomar um copo d'água na porta da geladeira apenas pra aguçar nosso raciocínio com clareza. Alguém que nos faz questionar a nossa vida, nossos planos, nossos valores.
Alguém que é milagre.

Os 'Alguéns-milagre' são o tipo de acontecimento cósmico raríssimo... São explosões de luz no nosso universo particular. São o 'tudo faz sentido' da nossa jornada e o 'tudo vai dar certo' da nossa esperança. Eles se somam às nossas expectativas e têm a medida ideal para que caibam em todos os nossos planos.
Um Alguém-milagre nos traz paz e inquietude simultaneamente. Nos traz certezas e dúvidas, paciência e pressa. E nos traz, junto de si, uma parte de nós que é a melhor parte que poderíamos ser.

Junto de um Alguém-milagre nós queremos ser mais. Queremos ser melhores.
Queremos ser o máximo que pudermos ser e, ainda assim, não sermos ninguém além de nós mesmos. Nossos Alguéns-milagre sempre nos fazem sentir como se ninguém, que não a gente mesmo, fosse tão suficientemente bom. Nossos Alguéns-milagre nos fazem sentir que somos Alguéns-milagre também.

Quando (e,  repito, se tivermos sorte) alguém com a maior cara de 'vou mudar seu mundo' aparecer, deixe de ser relutante. Abra os braços, tome um copo d'água e encare o fato de estar vivendo um milagre. Quanta gente neste mundo espera por alguém que transforme o preto e branco em arco-íris, e você aí, vivendo em um mundo de tinta com medo de se sujar.
A nossa vida é feita de uma coleção interminável de momentos e pessoas. Algumas estão ali por mudarem nosso dia, outras mudaram a nós mesmos. Mas algumas, e este é o verdadeiro milagre que operam, não surgem pra mudar absolutamente nada, mas somam à nossa vida absolutamente tudo.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Borboleta

Me disseram uma vez que o significado do meu nome me remete às borboletas e, desde então, eu venho tentando encontrar algo que me faça descobrir qualquer semelhança; algo que faça com que eu me descubra. E por isso me sinto na obrigação, de vez em quando, de me tornar lagarta e construir meu casulo.
É em cada isolamento que eu me sinto eu mesma, me vejo eu mesma e encaro de frente que, pra todo ciclo da minha vida, o que eu construo e o que eu destruo, eu faço sozinha.

Pode parecer egoísmo, mas se trata de desafio...

A maior dificuldade pra nós, seres-borboleta, é a de entendermos que as nossas asas possuem as mais diversas cores e misturas e que, mesmo tão diversificadas, únicas e independentes, ainda podemos voar lado a lado sem termos que ofuscar a beleza e as cores de quem nos acompanha.

Mas a verdade, se querem mesmo saber, é que nada assusta mais os outros do que a nossa autêntica beleza. Aquela que não precisa se encaixar em nada. Que se assume, que se aceita e que se modifica à sua própria maneira.

Penso que é normal, às vezes, nos sentirmos fora dos padrões...
Nos vemos imperfeitos, diferentes do convencional, e sozinhos. E a solidão dá medo! A solidão é um buraco negro; um destino incerto que nos lembra a todo tempo que, talvez, quem sabe, permaneçamos sozinhos pra sempre. Tentamos então, de forma desesperada, nos encaixar. Escondemos nossas cores mais vibrantes, cortamos nossas asas mais compridas, e nos ferimos gravemente tentando voar do jeito 'certo', falar do jeito 'certo' e andar do jeito 'certo', com a única intenção de afastarmos a sensação de solidão e assegurarmos um sentimento de esperança. 

E a gente se apaga.
A gente passa a ser o que todos esperam que a gente seja e faz as coisas que todos esperam que a gente faça, e que não são da nossa natureza. Há lagartas que optam por nunca entrarem em seus casulos; há lindas borboletas fingindo ser abelhas, apenas pra não voarem sozinhas.
A gente deixa de ser a gente mesmo, e não nos damos conta de como somos lindos se observarmos as imperfeições, na verdade perfeitas, dos nossos detalhes.

Hoje, no meu casulo, vi que perdi momentos preciosos e cores magníficas das minhas asas tentando me ajustar a este, ou àquele padrão. Tentando conquistar esse, ou aquele outro.
O que, no final das contas, foi deixar de ser o que eu sou por medo da solidão.
E adivinhem? Permaneci sozinha...
Hora ou outra cansei de voar com cores todas iguais, de falar sobre tantas mesmas coisas e frequentar todos os mesmos jardins.
Hora ou outra o padrão cansa.
Hora ou outra eu me senti a melhor companhia pra mim mesma.

E foi a hora de ver que havia algo de errado...
Foi a hora de ver que estava sozinha, mesmo com mil "iguais a mim"...
Agora estou me tornando a borboleta que sempre quis ser.

Talvez, ao sair do casulo, minhas cores sejam vibrantes e coloridas demais, minhas asas sejam compridas demais, e meu vôo seja alto demais. Talvez isto assuste a quase todos que cruzarem meu caminho, e talvez eu tenha que trilhar sozinha meus próximos destinos; minhas próximas flores.
Mas desta vez, pouco importa.

Eu descobri hoje, sozinha, dentro do meu casulo, que não existe sensação de solidão pior do que a de fazermos parte de tudo aquilo que nós não temos vontade de ser.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Uma chance

E aí que eu decidi, finalmente, aceitar aquela 'saída pra jantar', afinal de contas ele tinha um sorriso adorável e depois de tanta insistência eu deveria ser alguém especial no mundo dele.
Fomos num tal de restaurante mexicano/árabe/turco ou sei lá o que, que continha pimenta em excesso. Se ele estava afim de me agradar deve ter dado com os burros n'água, já que eu só pensava na bomba atômica que eu ingeria e, pô, depois de tantos convites ele podia ter pesquisado um pouco e se dado conta que eu tenho problemas de úlcera. Enfim, eu comia, me preparava para a morte, e sorria. É incrível pensar nas coisas que uma mulher pode fazer quando quer agradar um cara.
Ele sorria de volta, como se estivesse por muito tempo esperado pelo meu sorriso, ou como se achasse graça da minha mais frustrada tentativa de fingir estar gostando daquela gosma. Pouco importa o por quê... Mas aquele sorriso, aquele olhar, e aquele perfume deviam ser banidos pelo Ministério da Saúde. Eu, mulher geração saúde, tive um princípio de taquicardia...
- Nós podíamos ter ido comer outra coisa... - ele cochichou.
Tarde demais, meu amigo. Pão com banha me serviria naquela hora.
Eu apenas ri...
Ele riu também.
Ele estava especialmente bonito naquela noite. E aquele sorriso, estranhamente, era a única coisa que me alimentava naquele lugar estranho. E, então, todas as piadas pareciam engraçadas, e tudo parecia no exato lugar em que devia estar... E, de repente, aceitar aquela janta foi a melhor decisão dos meus últimos dias, do meu último ano. Da minha vida inteira. De todas as minhas vidas...

E então, como nada pode ser perfeito, o telefone tocou. Era ele. Não este ele, aquele outro ele que tirou de mim qualquer esperança no futuro; qualquer esperança nos homens.
...Não atendi. Tocou de novo. Desliguei. Recebi uma mensagem: "Estou com saudades", como qualquer cara que não presta sente de uma mulher que deixou de pensar nele.

E aí eu olhei pra frente e vi o quão boba eu fui por tanto tempo. Dar esperanças pra um ideal, e não pra um cara. Pra uma fantasia e não pra algo tangível, algo real. Estava ali, comendo aquela coisa horrível, com um cara maravilhoso. Devia ter me dado conta, no primeiro momento, no dia em que nos conhecemos, que ele era o cara. Não teria perdido tempo com meus erros e minhas tentativas falhas de agradar garotos, enquanto existia um homem com vontade de me fazer feliz. Nós somos diferentes, verdade. Ele gosta deste tipo de comida meio, sei lá, estranha, e eu sei que não vamos combinar em tudo - talvez em quase nada - como eu sempre sonhei enquanto lia todos os livros de romance que eu li, mas ele sabe, como ninguém, fazer um jantar horrível se tornar num encontro ótimo.

E ele sorriu de novo, e perguntou:
- Quem era?

E eu suspirei, realmente aliviada, sorri - desta vez, de verdade - e corri  pro abraço dele:
- Ninguém...

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Dos romances

"Não sou uma pessoa romântica" é o que eu ando discursando entre um encontro e outro pra prevenir qualquer catástrofe natural que envolva meu coração e uma furadeira. Homens e cães tem esse tipo de coisa em comum, além do tesão absurdo por fêmeas no cio, de sentir cheiro de medo e atacar na jugular sempre que nos percebem vulneráveis. Eu poderia arriscar jogar limpo e explicar que andei chorando com o clipe novo do Luan Santana e que tô tentando manter o peso pra caber num possível futuro vestido de noiva que, juro, foi feito pra mim, mas entre acabar sozinha e acabar sozinha com dignidade... Vamos lá, ainda resta o amor próprio.

Nunca tentei impedir o amor... A luta seria injusta, já que geralmente eu comigo mesma sou encrenca pura, mas aprendi, com o tempo, a me esquivar das minhas esquizofrenias de enxergar P.S. I Love You onde só tem Hannibal.
O mínimo que eu posso fazer por mim, então, é tentar dar um jeito de não me perder em algum labirinto moreno de 1,80m e barba por fazer, o que é um problema, já que eu tenho um péssimo senso de localização.

De tanto a gente evitar o amor, acaba ficando com medo dele. Medo de depender de alguém, de ser parte do sonho de alguém e de se sentir parte da vida de alguém que realmente queira a gente na vida. Mas uma hora vem...pra todo mundo. Principalmente pra quem não quer.
E aí romance vira rotina. Flor vira poesia. Sexo vira declaração.

Mas enquanto eu posso, eu me esquivo. Me enganando entre um encontro e outro, entre uma mentira e outra,  tentando controlar meus batimentos pra uma frequência de quase morte toda vez que o telefone toca, fingindo que pouco importa. O fato é que eu tenho total confiança na minha capacidade de enganar meu coração, pelo menos até quando ele optar por ser enganado.
Pode ser que amanhã ou depois eu acorde com pássaros cantando na minha janela, ou com minhas frases terminando com algum trecho da Clarice Lispector, seguidas do nome "dele", do tal cara, sei lá.

Mas por hora eu vou me virando... Encarando os encontros como doses de vodca e quase-paixões como ressaca pesada. A menos que seja um gato, aí me sinto na obrigação de pedir uma dose dupla...

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Procura-se um príncipe

Procura-se um príncipe.
O mundo constantemente perde a magia, mas eu não perco a esperança.
Sem cavalos brancos, roupas pomposas e medalhas honrosas. Basta que se mova ao meu encontro, dê valor ao tempo que dedico à beleza para lhe agradar e lute com determinação para que fiquemos juntos.
Não quero um Castelo; nunca pedi uma fada madrinha. Quero aconchego, um sofá confortável e muitos eletrodomésticos. Milagre mesmo é eu fazer um ovo frito sem queimar a clara, porque carruagens de abóbora e sapatinhos de cristal o mundo já cansou de fabricar... E quando não apodrecem, quebram.

Procura-se um príncipe;
um príncipe real, de verdade.
Que acorda e tem que matar um leão por dia; que tem problemas e dúvidas. Que tem insegurança.
Que saiba ser cavaleiro; que saiba ser cavalheiro. Que saiba, até, ser Bobo da Corte ao menos uma vez por mês, naqueles dias que - sabemos bem - princesas viram bruxas.
Que me procure, que me encontre, e que me desperte da agonia de achar que a magia do mundo está tão demodê quanto os Contos de Fadas.
Que me salve todos os dias de mim mesma e de todas as tolices que eu aprendi, durante a vida, sobre os homens. 
Que me diga sim; que me diga não. Que não me deixe um dia sequer sem resposta.
Que entenda que deve me ferir quando as únicas opções forem o ferimento ou a mentira.
Que peça perdão de coração quando tiver que escolher uma das opções acima.
Que me perdoe, quando eu também não tiver alternativa.
Que me olhe nos olhos, alise meus cabelos e decore as curvas do meu corpo.
Que não seja perfeito, para me dar a chance de ensinar algo de bom.

Procura-se um príncipe;
que no final das contas seja tão normal quanto eu, para que eu possa ser uma princesa, também.

domingo, 15 de julho de 2012

Manual Explicativo para o Homem da Noite

Levando em consideração a situação emergencial e a falta de perspectiva, pela primeira vez em dez mil anos a AMBRED (Associação das Mulheres Bem Resolvidas e Diponíveis) decidiu abrir o jogo e lançar o Manual Explicativo para o Homem da Noite, com algumas dicas eficientes e que podem, finalmente, deixar a disputa homem x mulher um pouco mais justa..

A AMBRED me proporcionou uma autorização, mediante contrato, para a divulgação dos 5 principais itens do Manual e eu, generosamente, descrevo-os aqui:

1) Mulheres demandam de muito tempo e disposição para que estejam bonitas, perfumadas e elegantes na noite. O homem que souber elogiá-las não é piegas, e sim um pressuposto de que sabe dar valor ao esforço de uma mulher. Ponto pra ele!

2) Uma mulher bem resolvida jamais ficará encarando um homem como se fosse a última barra de chocolate pós dieta da Segunda Feira. Ela te lançará singelas olhadas de poucos segundos, repetindo em intervalos de minutos. Uma mulher sabe do valor que a sedução tem para o homem e deixará que todo o crédito da conquista fique por conta dele...

3) Uma mulher que realmente valha a pena jamais estará sozinha em uma festa, a menos nas saídas estratégicas do banheiro, ou momentos de distrações. Mulheres bem resolvidas são rodeadas de amigas e amigos - sim, homens. E isso é mais normal do que imaginam - e há um bom motivo pra estarem assim: simpatia. Portanto tome coragem e tente conversar. Uma mulher jamais tratará com desrespeito quem se aproximar dela com educação.

4) Cantadas velhas não funcionavam antes, e não funcionam agora. Mas são uma ótima forma de quebrar o gelo e mostrar senso de humor. Homens divertidos estão mais em alta que unhas coloridas e uma mulher achará adorável passar o tempo com alguém que, além de coragem, teve personalidade pra começar qualquer assunto de um jeito engraçado.

5) Tudo deu certo, vocês dividiram um bom momento juntos, trocaram telefones, e não rolou nada. Não desanime. Mulheres bem resolvidas não costumam dar liberdade facilmente, unicamente por estarem sozinhas. Mas elas esperam que você as procure no próximo dia... Então seja inteligente e demonstre interesse.

Lembrem-se rapazes: Há mulheres que valem a noite, e mulheres que valem a pena.
A escolha é sua, mas saibam que sua recompensa virá no tamanho de seu esforço..

Bom proveito!

sábado, 14 de julho de 2012

Sobre nossos encontros...

A gente anda se encontrando com frequência... Na minha mente. E as coisas têm dado muito certo.
Ele está lindo, como sempre, sorrindo e fazendo piadinhas sobre como eu seria a nora que a mãe dele pediu pra Deus. Eu dou risada enquanto tento falar com olhares e tapas no ombro que pouco me importa o que a mãe dele pensa, mas bem que eu poderia ser a namorada que ele pediu pra Deus, só pra variar.
E  gente passa o dia falando sobre tudo do Universo; menos sobre nós. Eu no esforço surreal pra provar pro mundo que não tem nada a ver com amor e ele disfarçando muito bem que está dando certo.
E, então, entre um quase beijo e outro, ele me olha de um jeito meio esquisito, acho que tentando se convencer de que poderia dar certo se eu não fosse emocionalmente despreparada para o estilo de vida que ele leva e ele não fosse totalmente psicologicamente incapaz de acompanhar minhas crises femininas de céu e inferno em intervalos de cinco minutos.
Nessas horas eu tento me convencer de que nós não fomos feitos um para o outro, mesmo recolhendo provas incontestáveis de que bem que poderíamos ser. Não que eu esteja apaixonada; longe disso. É que eu acho que ficaríamos lindos num porta retratos... E você sabe bem que eu gosto de tudo que é lindo.
E quase sempre, nessas minhas fantasias, ele se despede como quem não quer ir e me abraça como quem não irá voltar. E eu o acompanho se afastar a cada centímetro, lutando comigo mesma pra não falar nenhuma bobagem que faça ele finalmente descobrir que me ama, ou decidir nunca mais aparecer.
E precisa ser assim..
Eu preciso imaginar as coisas como são, antes que descubra por mim mesma que não poderiam ser.
E quem sabe, uma hora dessas, de tanto imaginar ele acabe voltando. E termine o trecho da história onde a minha mente estacionou...

segunda-feira, 9 de julho de 2012

cá entre nós...

No cérebro masculino as coisas funcionam do jeito que devem funcionar. A matemática é exata, sim é sim, sorriso é "eu estou sorrindo" e silêncio por um tempo incalculável é "não estou interesado em você."
Só que no cérebro feminino a simplicidade confunde. A matemática é uma equação com muitas variáveis; sim, pode ser tanto "sim" quanto "talvez", mas geralmente é "não" mesmo. O sorriso pode ser uma crise psicopática disfarçada, ou uma vontade suave de perguntar "quem é a vaca?????", e o silêncio é um anúncio gritante em letreiros luminosos: corre que o bicho vai pegar.

A confusão mental feminina é tão grande que até quando uma mulher diz, em tom de revelação do milênio, que ama as coisas simples da vida, não é das coisas simples da vida que ela está falando. Pra uma mulher é simples o homem estar caminhando na rua e decidir por livre e espontânea vontade comprar um buquê de tulipas azuis encontradas às margens do Nilo e que representam, em forma de flor, o amor que ele sente. Pra um homem é simples chegar em casa, ligar a tv e encontrar a mulher com rabo de cavalo e vestindo apenas a camiseta da copa de 64. É simples; e é sexy.

As mulheres querem uma vida de filme. 
E não qualquer filme.
Querem Love Story, Um amor pra recordar, Titanic, Amor além da vida e qualquer outra dessas histórias em que, ou alguém morre, ou alguém dorme.
Os homens querem uma vida. Ponto.
E se for pra escolher um filme, que tenha amigos de infância, mulheres gostosas e cerveja. Fora isso o que vier é lucro.

Entre o dilema de quem nós somos e por que somos diferentes, toda mulher sabe que é confusa e quanto a isso elas são bem simples. São assim, porque são assim. Acostume-se.
Os homens, simplesmente, se acostumam.

E assim a vida segue;
A gente se apaixona e espera o mundo, ou não espera nada...
Elas tentando se convencer e convencer todo mundo de que são simples, assim como o arco-íris apó a tempestade embrulhada no sol; e eles disfarçando muito bem que tudo isso faz sentido. E que, não querida, você não está gorda.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

um pouco de muita coisa

Eu dou um trabalho danado pra quem gosta de mim...
Quero abraço, e quero distância, e quero beijo, e quero sumir, e quero tudo em você, e não quero nada que venha de você.

Sou paz e confusão, iceberg e vulcão. Um doce meio ácido; pimenta e hortelã.

Eu dou trabalho, mas dou recompensa.
Não quase amo, não quase cuido. Nisso sou inteira: carne, osso, alma e neurose. Sou toda amor, metade razão e dois por cento carência. (Ok, talvez um pouco mais que isso..)

E quem me ama às vezes surta, às vezes se arrepende, às vezes se surpreende.

Mas nunca desiste,
já que sabe que, mesmo com todas as minhas idas e vindas, eu permaneci junto, no mesmo lugar, do mesmo jeito de sempre, com o mesmo amor de sempre.

domingo, 1 de julho de 2012

dos problemas que a gente tem

Rir dos problemas parece muito mais fácil quando se vive num clássico da Disney e todos os dilemas parecem se encaixar bem numa música animada. Na vida real seus problemas podem dar boas canções e, por mais que isso renda uma boa grana, os problemas ainda serão problemas, a menos que surja um grilo metido a esperto ou um rato simpático que tenha dom pra costureiro.
O fato é que sem problemas não haveria soluções e ninguém se daria valor por dar a volta por cima toda vez. Ter que provar pra si mesmo que é forte quando tudo que faz sentido parece dar errado é muito mais que ser vencedor... É renascer todos os dias para uma nova realidade, talvez mais fácil, talvez não.

Com o tempo os desamores não machucam, as despedidas são necessárias e o esquecimento é garantido. Você já passou por isso uma vez; na próxima fará tudo de novo e sem precisar de um fitoterápico pra dormir. O sono vem, o dia seguinte também.
A verdade é que a vida continua; você chorando, você sorrindo, você indiferente. O mundo não pára pra que você tome fôlego ou retoque a maquiagem. E pode parecer que é insensível da parte dele, mas não é; é uma tentativa bem sucedida de que você olhe pra frente e pare de vasculhar o buraco em que tropeçou. Mais buracos virão; esteja preparado.

Erga a cabeça; dê o primeiro passo. Respire fundo, não se acanhe. Ninguém está disputando com você quem dá "a volta por cima mais rápido". É você consigo mesmo e o mundo que conspira pra que você consiga.
Leve o tempo que julgar necessário, mas saiba que há novas pessoas, novos lugares e novas sensações pra você experimentar e colecionar. Você faz os seus prazos.
Plante uma árvore, leia um bom livro, cante no chuveiro. Faça qualquer esquisitisse que te mantenha sorrindo pelo máximo de tempo que conseguir. Faça cócegas em si mesmo se for preciso; mas não desista da sua paz.

A vida é valiosa demais e incrivelmente curta demais pra que você gaste seu tempo pensando nas oportunidades que perdeu enquanto cicatrizava feridas antigas.

Felicidade é muito mais que conquistar tudo o que almeja. Isto é consequência..
Felicidade é usufruir de tudo que já conquistou para encontrar a própria paz sabendo que, se algum problema surgir na caminhada, é tudo uma questão de desvio.



Mais uma vez.

"Te tenho com a certeza de que você pode ir; te amo com a certeza de que irá voltar..." foi o trecho que ouvi umas sete vezes pra tentar amenizar o gosto amargo daquele Goodbye My Love do James Blunt que até agora não entendi se é uma despedida de amor ou um presságio de morte. Pra me antecipar já vesti meu luto e chorei litros por duas horas, assim me preparo para o pior, e você bem sabe que eu gosto de estar preparada pra tudo!

Mas hoje eu acordei meio Jota Quest, feliz e em paz. Esses últimos dias de cárcere no meu quarto me permitiram usufruir um pouco de mim mesma... Lembrei de como eu era antes de ser o que "eu preciso ser pra me dar bem na vida" e gostei. Acho que me recuperei de mim mesma e me sinto mais livre, mais pura, mais criativa. 
 E então eu me dei conta... Meio tarde, meio cedo, meio na hora certa. Descobri que pra essas coisas não existe um parâmetro mesmo. Mas me dei conta do que uma hora ou outra eu me daria, que você já havia se dado há bastante tempo..

NÓS: é um pronome indefinido. Simples assim.

Começou de um jeito estranho, como todas as grandes histórias de amor. Tenho cócegas imaginárias e sorriso involuntário quando lembro dos momentos inúteis de chimarrão e sol. É bacana lembrar que funcionávamos bem fazendo nada, ou fazendo qualquer coisa.
Acho que este é o meu tempo de sentir a tua falta, enquanto é o teu tempo de dar um jeito de ser feliz sem mim; tudo igual, papéis invertidos. Não posso te culpar por procurar sorrisos, que não os meus se eu mesma fiz isso incontáveis vezes nos últimos anos.
Comigo não deu certo e seria egoísmo querer que contigo acontecesse o mesmo. Sou um pouco egoísta, você sabe. Aliás não existe o que em mim você não saiba, e por mais assustador que pareça, não deixa de ser lindo.

Não posso esperar que de repente você largue o mundo todo que conquistou, porque de repente, eu, Miss Inconstância, lembrei que te amo e que nós podíamos ser mais felizes que o casal de velhinhos do filme "UP! Altas Aventuras".
... Mas posso esperar qualquer coisa, já que desde que as nossas vidas se cruzaram tudo o que é lógico perdeu o sentido; e acho que isso é o que chamam de amor, né?! O que enche o coração de alegria e desespero; tudo junto, misturado. A certeza do 'pra sempre' e o medo do 'nunca mais' embrulhados pra viagem, já que as coisas estão sempre em movimento.

O que eu espero é que de um jeito, ou de outro, tudo se encaixe... Como nossas mãos se encaixaram no primeiro dia em que a gente se viu, se beijou e se olhou como se carregássemos anos de convivência de outras vidas no sorriso um do outro.


Seja feliz, é o que eu peço.

"Mas quando a hora chegar... Volta."

sábado, 16 de junho de 2012

Morte de Outono

Acordei hoje pela manhã com hálito de hortelã. Abri os olhos metade Ana Maria Braga com seu bom humor matinal e metade todas aquelas outras pessoas com senso de positivismo tão avançado que têm o convívio desaconselhado pra cardíacos ou gestantes. Não me perguntem o porquê... Não existe uma explicação lógica, cronológica ou psicológica pra essas coisas. E ninguém é doido o bastante pra questionar o bom humor.
A verdade é que as folhas das árvores estão caindo; o meu cabelo também. E a menos que o apocalipse esteja próximo, ou eu tenha uma séria tendência pra calvície, existe uma grande possibilidade de folhas mais verdes aparecerem na primavera, assim como fios mais fortes, amém, na minha cabeça.

Isso pra mim faz parte de algum tipo de mensagem Divina.
Algum tipo de grilo falante me pedindo pra pelo amor de Deus parar de tentar amarrar as minhas folhas com barbante somente pelo medo de acabar o outono desnuda e sozinha..
É verdade que eu me prendo duramente a tudo que parece bonito na minha vida. Gosto de amar eternamente, nem que seja amor aos bons costumes. Gosto de torcer pro mesmo time, escolher o mesmo chocolate e entrar na mesma calça de quando tinha dezesseis anos. Eu gosto. Não necessariamente eu consigo.
Mas, poxa, é outono. Outono é morte... E ninguém se dá conta!
O outono tem a tendência natural de derrubar o que já não estava firme e matar o que já estava velho e doente.

Por isso hoje pela manhã eu acordei pronta.
Pronta pras despedidas de tudo aquilo que já não cabe em mim. Minhas calças, principalmente elas, meus sentimentos, meus amores não correspondidos - isso me levou a manhã inteira -, minhas mensagens não respondidas, minhas ideias não valorizadas e meus amigos eternos de festas chatas e gente insuportável.
Abri os olhos e vi que mesmo que todas as minhas folhas e flores caiam, secas e murchas, a minha raíz firmemente decidida não vai me deixar desabar.
E, assim, eu disponho do meu espaço agora livre pra que na hora certa surjam folhas mais verdes e flores mais coloridas que vão encher de alegria minha primavera.

E a vida é assim mesmo;
aprender que com as despedidas nos sujeitamos aos novos encontros.

É deixar morrer o que já não quer se manter vivo
pra deixar nascer o que quiser viver do nosso lado..

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Esse sorriso...

- Eu preciso desse sorriso.
Pronto, falei. Traindo os meus propósitos, contrariando minhas teses, admitindo o inadmissível. Falei engolindo a seco a sensação de rendição e total entrega, pedindo inconscientemente pra algum anjo da guarda me conseguir, talvez, um litro daquele uísque barato e assassino, pra acabar de vez com essa tortura. Nada feito. A missão é continuar viva; lá vamos nós...

- Eu não gosto de ficar pensando que tudo à nossa volta tem um propósito e um prazo, mas desde que o nosso dia se cruzou em umas dessas paradas imprevistas, as coisas mudaram de perspectiva. Eu espero, em nome da minha saúde mental, conseguir acreditar que tenho domínio sobre os meus pensamentos e sobre meus atos; ou tinha, antes de você vir, de você ir, de você voltar. É tanto vai e volta que eu já nem sei se você tá aí, ou se você já foi, ou se nunca esteve. Mas não importa. O fato é que eu só preciso desse sorriso e de tudo que vem com ele.
Pode ser que as coisas estejam tortas na minha cabeça; que seja um amor meio amizade, uma amizade meio paixão, ou um medo absurdo de que chegue o dia seguinte e tudo seja nada, ou tudo seja uma quase boa história... Eu não quero uma quase boa história!! Eu não quero quases e não quero histórias. Eu quero permanentemente esse sorriso; sorrir esse sorriso, chorar esse sorriso. Eu preciso precisar desse sorriso.
Eu temi, sim, por muito tempo, precisar desse sorriso. Temi que o sorriso não fosse mais o suficiente
 e eu precisasse de mais... Precisasse da boca toda, dos olhos, dos ouvidos e do coração!

Mas veja que coisa engraçada aconteceu quando eu deixei de ser sou-mais-eu pra ser sou-totalmente-você:

Não importa como;
Não importa onde;
Só o que eu preciso, pra que os dias sejam mais leves
é desse sorriso.