quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Dane-se

É sempre nessa hora;
Hora que sobra tempo pra pensar, cogitar e planejar sobre o tempo que nas próximas horas nós vamos jogar fora, tentando aquilo tudo que foi pensado, cogitado e planejado..

E que se dane o castanho escuro dos teus olhos, se só o que fazem é me virar do avesso, como em qualquer mitologia besta; qualquer serpente ou qualquer sereia. Não me importa o quanto estremecem a minha espinha, induzem meu sorriso ou me coram as bochechas. Danem-se esses olhos, 
Eu quero arquitetar a minha vida.

E que se dane essa boca e todos esses dentes que habitam nela. Muito mais esses dentes, que essa boca. E que se dane esse sorriso torto que finge tentar ignorar minhas crises de garota no auge dos seus vinte anos e que finge não achar graça das minhas súplicas, persuasões e chantagens emocionais pra te fazer viciar em filmes de romance cafonas e seriados de fantasmas. Que se dane a inveja que eu tenho de todo o Universo que, por anos, acompanha esse sorriso torto, com cada marca de expressão e cada dente de leite fora do lugar. Danem-se aquelas gargalhadas exageradas. 
Eu preciso pensar.

Não quero me lembrar daquela barba por fazer. Aquela barba que faz cócegas e que te deixa com cara de bobo quando encontra meu cabelo... Não quero me lembrar de quando ela busca o meu rosto, tampouco quando busca minha coluna.
São os MEUS planos, agora...

Preciso, por alguns minutos, ignorar qualquer rastro teu. O cheiro do perfume, o cheiro do shampoo; o teu cheiro, puro, depois de um jogo de futebol. A pele, o calcanhar dolorido, a canela chutada, o cabelo espetado. As crises de ciúmes, as crises de mau humor, os sermões fora de contexto. O beijo na mão, o beijo na nuca; o beijo.
Preciso te ignorar, 
Agora que tenho tempo o suficiente pra planejar o meu futuro do teu lado.

Acho que estou pronta, finalmente pronta, pra aceitar tuas controvérsias.
Aliás, acho que sempre estive; só com um pouco menos de tempo para entender o tempo presente.

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