quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Dias de Chuva

       Eram dias de chuva que se seguiam, mas tudo ao redor lhe parecia particularmente especial; as gotas de chuva dançando na janela, os pássaros ensaiando sua melodia no jardim, a leve brisa de fim de tarde... Tudo ali lhe trazia a sensação de um novo tempo que se aproximava.

       Respirou fundo. Repetiu. Sentir a natureza de forma tão intensa lhe trouxe paz. Sentir-se livre era experiência nova; viciante!
Deu gargalhadas, sozinha no quarto. Gostou do som. Voltou a gargalhar por mais alguns segundos...

***
       Durante anos; todos eles, aliás, tentou inutilmente ser racional com seus próprios sentimentos... Fazer o certo, pelo certo, mesmo de coração apertado. Buscar evoluir, pois era necessário, e não por que a alma pedia. Sofria calada; duvidava. Buscava respostas; não por falta de fé, mas por falta de forças, e somente encontrava sua fé posta à prova, incansáveis vezes.
       Depositava a esperança de sua felicidade em quem lhe parecesse de confiança. Decepcionava-se. Engolia as palavras, a ilusão, a esperança. Partia pra outra.
       Não aprendia a ser diferente. 
       Pedia por alguém que lhe fizesse crer no mundo; que lhe fizesse crescer.
***

        Lembrou de tudo isso, novamente, e sentiu borboletas no estômago. Sensação esquisita de incredulidade!
        Tão esperta, tão sábia; como pôde ser tão tola a ponto de não se enxergar da forma que é, bela e forte? Pra que desejar e esperar por alguém que não faria por ela mais do que ela própria conseguiria? Anos de cegueira... Que lástima!
         Levantou-se, olhou-se no espelho. Seus olhos tinham uma luz especial; uma luz que era somente dela e que por anos ela decidiu esconder por trás de sua insegurança. Seu semblante era de paz; o que era uma novidade. Ver transparecer essa alegria lhe fez bem...

          "A vida faz tudo certo", pensou com convicção.
           Desta vez tinha certeza; não por ser certo pensar assim, mas porque sua alma lhe dizia... Se viu, pela primeira vez, como deveria ter sido vista a vida toda: forte, independente, feliz. Pronta para os desafios que os ventos lhe trariam. Ela venceria todos, tinha certeza.

            Sentou-se novamente em frente à janela; o sol começava a ressurgir por entre as nuvens trazendo esperanças de um novo dia de luz.
            Ela não sabia o que a esperava dali pra frente, mas sabia que seria muito melhor do que ela poderia imaginar.

            Então, ela voltou a gargalhar...

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