sábado, 16 de junho de 2012

Morte de Outono

Acordei hoje pela manhã com hálito de hortelã. Abri os olhos metade Ana Maria Braga com seu bom humor matinal e metade todas aquelas outras pessoas com senso de positivismo tão avançado que têm o convívio desaconselhado pra cardíacos ou gestantes. Não me perguntem o porquê... Não existe uma explicação lógica, cronológica ou psicológica pra essas coisas. E ninguém é doido o bastante pra questionar o bom humor.
A verdade é que as folhas das árvores estão caindo; o meu cabelo também. E a menos que o apocalipse esteja próximo, ou eu tenha uma séria tendência pra calvície, existe uma grande possibilidade de folhas mais verdes aparecerem na primavera, assim como fios mais fortes, amém, na minha cabeça.

Isso pra mim faz parte de algum tipo de mensagem Divina.
Algum tipo de grilo falante me pedindo pra pelo amor de Deus parar de tentar amarrar as minhas folhas com barbante somente pelo medo de acabar o outono desnuda e sozinha..
É verdade que eu me prendo duramente a tudo que parece bonito na minha vida. Gosto de amar eternamente, nem que seja amor aos bons costumes. Gosto de torcer pro mesmo time, escolher o mesmo chocolate e entrar na mesma calça de quando tinha dezesseis anos. Eu gosto. Não necessariamente eu consigo.
Mas, poxa, é outono. Outono é morte... E ninguém se dá conta!
O outono tem a tendência natural de derrubar o que já não estava firme e matar o que já estava velho e doente.

Por isso hoje pela manhã eu acordei pronta.
Pronta pras despedidas de tudo aquilo que já não cabe em mim. Minhas calças, principalmente elas, meus sentimentos, meus amores não correspondidos - isso me levou a manhã inteira -, minhas mensagens não respondidas, minhas ideias não valorizadas e meus amigos eternos de festas chatas e gente insuportável.
Abri os olhos e vi que mesmo que todas as minhas folhas e flores caiam, secas e murchas, a minha raíz firmemente decidida não vai me deixar desabar.
E, assim, eu disponho do meu espaço agora livre pra que na hora certa surjam folhas mais verdes e flores mais coloridas que vão encher de alegria minha primavera.

E a vida é assim mesmo;
aprender que com as despedidas nos sujeitamos aos novos encontros.

É deixar morrer o que já não quer se manter vivo
pra deixar nascer o que quiser viver do nosso lado..

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