Procura-se um príncipe.
O mundo constantemente perde a magia, mas eu não perco a esperança.
Sem cavalos brancos, roupas pomposas e medalhas honrosas. Basta que se mova ao meu encontro, dê valor ao tempo que dedico à beleza para lhe agradar e lute com determinação para que fiquemos juntos.
Não quero um Castelo; nunca pedi uma fada madrinha. Quero aconchego, um sofá confortável e muitos eletrodomésticos. Milagre mesmo é eu fazer um ovo frito sem queimar a clara, porque carruagens de abóbora e sapatinhos de cristal o mundo já cansou de fabricar... E quando não apodrecem, quebram.
Procura-se um príncipe;
um príncipe real, de verdade.
Que acorda e tem que matar um leão por dia; que tem problemas e dúvidas. Que tem insegurança.
Que saiba ser cavaleiro; que saiba ser cavalheiro. Que saiba, até, ser Bobo da Corte ao menos uma vez por mês, naqueles dias que - sabemos bem - princesas viram bruxas.
Que me procure, que me encontre, e que me desperte da agonia de achar que a magia do mundo está tão demodê quanto os Contos de Fadas.
Que me salve todos os dias de mim mesma e de todas as tolices que eu aprendi, durante a vida, sobre os homens.
Que me diga sim; que me diga não. Que não me deixe um dia sequer sem resposta.
Que entenda que deve me ferir quando as únicas opções forem o ferimento ou a mentira.
Que peça perdão de coração quando tiver que escolher uma das opções acima.
Que me perdoe, quando eu também não tiver alternativa.
Que me olhe nos olhos, alise meus cabelos e decore as curvas do meu corpo.
Que não seja perfeito, para me dar a chance de ensinar algo de bom.
Procura-se um príncipe;
que no final das contas seja tão normal quanto eu, para que eu possa ser uma princesa, também.
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