Me disseram uma vez que o significado do meu nome me remete às borboletas e, desde então, eu venho tentando encontrar algo que me faça descobrir qualquer semelhança; algo que faça com que eu me descubra. E por isso me sinto na obrigação, de vez em quando, de me tornar lagarta e construir meu casulo.
É em cada isolamento que eu me sinto eu mesma, me vejo eu mesma e encaro de frente que, pra todo ciclo da minha vida, o que eu construo e o que eu destruo, eu faço sozinha.
Pode parecer egoísmo, mas se trata de desafio...
A maior dificuldade pra nós, seres-borboleta, é a de entendermos que as nossas asas possuem as mais diversas cores e misturas e que, mesmo tão diversificadas, únicas e independentes, ainda podemos voar lado a lado sem termos que ofuscar a beleza e as cores de quem nos acompanha.
Mas a verdade, se querem mesmo saber, é que nada assusta mais os outros do que a nossa autêntica beleza. Aquela que não precisa se encaixar em nada. Que se assume, que se aceita e que se modifica à sua própria maneira.
Penso que é normal, às vezes, nos sentirmos fora dos padrões...
Nos vemos imperfeitos, diferentes do convencional, e sozinhos. E a solidão dá medo! A solidão é um buraco negro; um destino incerto que nos lembra a todo tempo que, talvez, quem sabe, permaneçamos sozinhos pra sempre. Tentamos então, de forma desesperada, nos encaixar. Escondemos nossas cores mais vibrantes, cortamos nossas asas mais compridas, e nos ferimos gravemente tentando voar do jeito 'certo', falar do jeito 'certo' e andar do jeito 'certo', com a única intenção de afastarmos a sensação de solidão e assegurarmos um sentimento de esperança.
E a gente se apaga.
A gente passa a ser o que todos esperam que a gente seja e faz as coisas que todos esperam que a gente faça, e que não são da nossa natureza. Há lagartas que optam por nunca entrarem em seus casulos; há lindas borboletas fingindo ser abelhas, apenas pra não voarem sozinhas.
A gente deixa de ser a gente mesmo, e não nos damos conta de como somos lindos se observarmos as imperfeições, na verdade perfeitas, dos nossos detalhes.
Hoje, no meu casulo, vi que perdi momentos preciosos e cores magníficas das minhas asas tentando me ajustar a este, ou àquele padrão. Tentando conquistar esse, ou aquele outro.
O que, no final das contas, foi deixar de ser o que eu sou por medo da solidão.
E adivinhem? Permaneci sozinha...
Hora ou outra cansei de voar com cores todas iguais, de falar sobre tantas mesmas coisas e frequentar todos os mesmos jardins.
Hora ou outra o padrão cansa.
Hora ou outra eu me senti a melhor companhia pra mim mesma.
E foi a hora de ver que havia algo de errado...
Foi a hora de ver que estava sozinha, mesmo com mil "iguais a mim"...
Agora estou me tornando a borboleta que sempre quis ser.
Talvez, ao sair do casulo, minhas cores sejam vibrantes e coloridas demais, minhas asas sejam compridas demais, e meu vôo seja alto demais. Talvez isto assuste a quase todos que cruzarem meu caminho, e talvez eu tenha que trilhar sozinha meus próximos destinos; minhas próximas flores.
Mas desta vez, pouco importa.
Eu descobri hoje, sozinha, dentro do meu casulo, que não existe sensação de solidão pior do que a de fazermos parte de tudo aquilo que nós não temos vontade de ser.
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